mlpaiva Escreveu:
Fernando A Coelho Escreveu:
(...) Falta em Portugal uma secção Slow Food. Pode não se estar de acordo em toda a linha com as políticas (por ex., no que se refere ao leite cru) mas é organização de valor, muito activa e que deverá facultar enquadramento.
Infelizmente, o Slow Food não vingou em Portugal, nem sei como está.
Eu aqui fazia parte do Convivium Porto-Douro, cheguei a conhecer o Carlo Petrini num jantar coordenado pelo Chef Hélio, mas a secção estiolou...
Pela minha parte, a dificuldade era nos almoços de sábado porque, para mim, sábado é dia de trabalho...
Mas quem sabe se, agora, não haverá mais sensibilidade para o movimento?
Não esquecer, também, que muita gente abandonou o movimento pela pendente comercial que se desviava da pureza original...
“Onde está Portugal?”, pergunta a Alexandra Prado Coelho no blog (artigo de 21/8), concluindo ser uma pena que o nosso país não tenha sido identificado por uma cultura gastronómica com identidade própria - como o Qatar ou a ilha de Bali...!
(caso para perguntar o que faz de facto a Academia Portuguesa de Gastronomia).
Portugal segue virtualmente o que se passa nos EUA, no Japão, em Londres - em lugar de se concentrar realmente sobre os 92,094 km2 (e os 505,991 km2 do lado). Criam-se associações designadas “Independent Winegrowers Association” e “Young Winemakers”
(...num país cuja língua é falada, como primeira ou segunda língua, por 191 milhões de pessoas - 7ª posição mundial antes do Alemão, do Francês e do Japonês*).
Não sou associado Slow Food. Uso as edições
(algumas das quais excelentes, como a Osterie d’Italia, 20ª edição em 2010). E desde há uns dois anos compramos directamente aos produtores no “Mercado da Terra” organizado mensalmente aqui na cidade
(graças ao qual temos podido fornecer-nos de ovos de gansa, de óptimo pão cozido em forno de lenha, de morcelas que me fizeram esquecer as nossas, piores de ano para ano, e de outras vitualhas difíceis de encontrar até junto do pequeno comércio).
A Slow Food é hoje uma organização de relevo, com muitos associados consumidores daqueles que valorizam os produtos autóctones tradicionais
(alguns dos quais em risco de sobrevivência). Mais importante ainda, do lado da produção agrega pequenas empresas e até empresas de certa dimensão sem disponibilidade para suportar os custos de publicidade dos grandes media ou que, na perspectiva de que a união faz a força, preferem comunicar através de uma estrutura vista como seguidora de critérios de ética e seriedade pelo grande público.
Se por aí não vingou será porque...
it was not on the cards. Tantos puros...e quer-me parecer que ao espírito associativo continua a contrapor-se a preferência pela capelinha própria, de preferência com trincheira à volta!
A propósito, o
Salone del Gusto vai este ano de 25 a 29 de Outubro, em Turim (
http://www.salonedelgusto.it).
* A quem possa interessar: N. Ostler, “Empires of the Word”, HarperCollins 2004