oliveira Escreveu:
Para além do evidente, isto significa que Portugal está a perder o comboio nos vinhos mais caros, ou seja, estamos a perder qualidade?
Sempre me deu a entender que ultimamente os vinhos Portugueses estão em alta, mas o preço tambem tem acompanhado essa evolução?
Estão dispostos os consumidores a pagar bem por uma garrafa de portugal?
Não vou entrar por definições de qualidade, mas não consigo associar essa do que é caro é que é bom.
Se um vinho é caro, é porque alguém estará disposto a pagar isso por ele, e está certo que vale o que pedem por ele. Os erros de cálculo, e os olhos sem barriga, a lei da oferta e da procura se encarregará de pôr no lugar. A primeira garrafa qualquer MKT a vende, a segunda, se não houver valor objectivo e intrínseco, só engole o MKT quem quer. Querem côco, compota e serradura, ninguém impede de tomar.
Um vinho especulativo que ajusta para baixo o preço exagerado, não perdeu qualidade, perdeu quanto muito foi credibilidade.
Um vinho caro não tem necessariamente mais qualidade que um mais barato.
Qualidade, já dizia o outro, mede-se pela satisfação do consumidor e bem-estar do produtor.
E se há país que consegue dar cartas, assim o queira, na qualidade-preço, e ainda com laivos do tal do terroir além do contra-rótulo, esse país é Portugal.
Temos é de vez de perder a ideia de que cada produtor tem a melhor vinha do mundo, com a qual vai fazer o melhor vinho do mundo.
Enquanto todos baterem nesta tecla, continuarão a vêr passar os comboios.
Cada um tem de produzir o melhor que souber e puder dentro das suas capacidades e possibilidades, e a mais não é obrigado. E se souber valorizar o que produz realisticamente, mais tarde ou mais cedo será compensado.
E continuar a mostrar as castas por separado, achando que é assim que se vai lá, jogando no campo dos outros com as armas dos outros, já se viu que não se vai lá.
A grande mais valia das castas portuguesas além de muitas e boas, é que, não havendo castas completas em si, com excepção do Alvarinho, da Baga e do Castelão e mais uma ou outra, e apenas nos sítios que sabemos, são castas que se completam umas às outras com a sua mais-valia particular. Não tem de haver vergonha em dizer que os nossos melhores vinhos são os de lote.
Devia-se pedir a um marqueteiro a sério, pois de trazer por casa somos todos, que trabalhasse e enfeitasse uma frase do género,
"Portugal Wine, Team of Varieties", que pelo menos expressasse de forma impactante este sentido. Enquanto continuarmos a copiar as banalidades do costume, podemos continuar orgulhosos do nosso melhor vinho do mundo feito com a melhor vinha do mundo, que ninguém nos ligará nenhuma.
tVC