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 Assunto da Mensagem: Vinha 2012
MensagemEnviado: Domingo Mar 11, 2012 16:40 

Registado: Sábado Dez 26, 2009 8:29
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No ano passado dei pelos primeiros abrolhamentos a 23 de Fevereiro. Muito cedo.
Em 2010, foi a treze de Março, mais ou menos no seu tempo.
Este ano continua tudo muito atrasado, apesar de calcular que a meio da semana que entra hoje já haverá umas inflorescências aqui ou ali, mas creio que pontuais.
Nem todas as castas já tem sequer o gomo inchado, a fase do rabo de abelha.
Para já não quer dizer nada. A planta tem uma capacidade de recuperação surpreendente.
Existe para já apenas um pormenor intrigante. A Tinta Roriz/Aragonês, que costuma ser das últimas a rebentar, é a casta que neste momento apresenta os gomos mais inchados, mais até que o Tinto Cão, normalmente a primeira a rebentar, e duas a três semanas antes da Tinta Roriz. Por enquanto é apenas um registo.
Quanto à falta de água, por enquanto na vinha reflecte-se apenas ao nível das reservas que as raízes da planta (não) acumularam no inverno, e que lhe vão fazer falta para o esticão que representa o arranque do ciclo vegetativo.
Vai sendo tempo de terminar as podas, as amaroas, fazer os herbicidas nas entrelinhas, e estar a postos para a cura da escoriose.
Julgo que não é ano para ter produções que compensem a falta dela no ano passado. É ano para recuperar a vinha do esforço infrutífero que teve, tentando compreendê-la sem lhe exigir demais. Por isso faz-me confusão ver por aí algumas vinhas podadas com um exagero de talões dobrados.
Vamos a ver se chove no momento certo a partir de agora.
Mas palpita-me que vem aí mais um típico ano atípico.

tVC

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 Assunto da Mensagem: Re: Vinha 2012
MensagemEnviado: Segunda Mar 12, 2012 8:43 

Registado: Sexta Fev 13, 2009 0:07
Mensagens: 1024
Tomaz Vieira da Cruz Escreveu:
No ano passado dei pelos primeiros abrolhamentos a 23 de Fevereiro. Muito cedo.
Em 2010, foi a treze de Março, mais ou menos no seu tempo.
Este ano continua tudo muito atrasado, apesar de calcular que a meio da semana que entra hoje já haverá umas inflorescências aqui ou ali, mas creio que pontuais.
Nem todas as castas já tem sequer o gomo inchado, a fase do rabo de abelha.
Para já não quer dizer nada. A planta tem uma capacidade de recuperação surpreendente.
Existe para já apenas um pormenor intrigante. A Tinta Roriz/Aragonês, que costuma ser das últimas a rebentar, é a casta que neste momento apresenta os gomos mais inchados, mais até que o Tinto Cão, normalmente a primeira a rebentar, e duas a três semanas antes da Tinta Roriz. Por enquanto é apenas um registo.
Quanto à falta de água, por enquanto na vinha reflecte-se apenas ao nível das reservas que as raízes da planta (não) acumularam no inverno, e que lhe vão fazer falta para o esticão que representa o arranque do ciclo vegetativo.
Vai sendo tempo de terminar as podas, as amaroas, fazer os herbicidas nas entrelinhas, e estar a postos para a cura da escoriose.
Julgo que não é ano para ter produções que compensem a falta dela no ano passado. É ano para recuperar a vinha do esforço infrutífero que teve, tentando compreendê-la sem lhe exigir demais. Por isso faz-me confusão ver por aí algumas vinhas podadas com um exagero de talões dobrados.
Vamos a ver se chove no momento certo a partir de agora.
Mas palpita-me que vem aí mais um típico ano atípico.

tVC


Bom post do Tomás, tipo Borda d'Água, dando indicações dos trabalhos a fazer. Eu, que não tenho vinhas, estou entretido a tratar das minhas hortenses que já rebentaram há 15 dias e estão lindas, a crescer desalmadamente, quase se vê a planta a trepar. Este renascer que a Primavera traz é dramático para os depressivos mas, vá lá pessoal, há que ter garra para enfrentar o Verão seco e sem água. Vamos todos penar...

Até já

JPM
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 Assunto da Mensagem: Re: Vinha 2012
MensagemEnviado: Terça Mar 13, 2012 21:14 

Registado: Sábado Mar 14, 2009 18:50
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Localização: Paris
Tomaz Vieira da Cruz Escreveu:
Quanto à falta de água, por enquanto na vinha reflecte-se apenas ao nível das reservas que as raízes da planta (não) acumularam no inverno, e que lhe vão fazer falta para o esticão que representa o arranque do ciclo vegetativo.

Na semana passada perguntei a varios "velhotes", la da aldeia e que sempre viveram da terra, se se recordavam de algum ano com um inverno tão seco. Acreditem ou não todos me deram a mesma resposta, em tantos anos de vida nunca viram algo assim...

Muitos ja rezam por chuva.

Pessoalmente acho preocupante.

Mesmo os produtores de vinhos tecnologicos, que regam a vinha, estão a ficar com os poços secos...

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 Assunto da Mensagem: Re: Vinha 2012
MensagemEnviado: Terça Mar 13, 2012 21:28 
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Registado: Sábado Fev 14, 2009 11:51
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Antonio Madeira Escreveu:
Tomaz Vieira da Cruz Escreveu:
Quanto à falta de água, por enquanto na vinha reflecte-se apenas ao nível das reservas que as raízes da planta (não) acumularam no inverno, e que lhe vão fazer falta para o esticão que representa o arranque do ciclo vegetativo.

Na semana passada perguntei a varios "velhotes", la da aldeia e que sempre viveram da terra, se se recordavam de algum ano com um inverno tão seco. Acreditem ou não todos me deram a mesma resposta, em tantos anos de vida nunca viram algo assim...

Muitos ja rezam por chuva.

Pessoalmente acho preocupante.

Mesmo os produtores de vinhos tecnologicos, que regam a vinha, estão a ficar com os poços secos...

Pois os velhotes têm de ser mesmo velhotes para se lembrarem de seca maior que esta, pois desde 1931 (pior ano desde que há registos) que não há outra assim (http://ogalaico.blogspot.com/2012/03/seca.html).

Mas talvez haja hoje outros meios e outro conhecimento para minimizar os estragos...

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 Assunto da Mensagem: Re: Vinha 2012
MensagemEnviado: Sábado Mar 31, 2012 18:26 

Registado: Sábado Dez 26, 2009 8:29
Mensagens: 345
Depois de duas semanas de muita timidez, com abrolhamentos aqui e ali, mas tudo muito salpicado, esta semana já foi possível começar a ver tons de verde mais ou menos homogéneos em alguns talhões e castas um pouco por todo o centro e sul do país, no Tejo, riba e além, e no Alen também. A norte, a vinha parece que continua tímida, mas durante os próximos 15 dias também perderá inevitavelmente a timidez.
Já é possível ver futuros cachos em algumas castas, mas é ainda muito cedo para opinar sobre a novidade. As castas mais tardias também já tem a ponta verde de fora.
Continuo a achar que há vinhas com poda demasiado ligeira, o que só compreendo se estiverem assim até ao perigo real de geadas passar, corrigindo em seguida. O ano não é para grandes cargas, mas sim para recuperar e mimar a vinha, que passou um mau bocado no ano que passou.
Também se vê mais aqui e ali que o costume, muita vinha que já não será podada nem cuidada este ano.
Por esta altura pelo menos as vinhas com folhas visíveis já terão levado o primeiro tratamento preventivo anti-míldio, bem prevenido face às chuvas que se seguiram. Estas já tardavam, mas vêem a tempo de ajudar ao esforço que a vinha faz neste impulso inicial, em que se vê a planta mudar de face entre a manhã e a tarde, embora ainda não chegue para lhes substituir as reservas que lhe faltaram acumular no Inverno. Também são uma benção para as enxertias e re-enxertias acabadas de tapar com terra quase seca. Devido às temperaturas estarem baixas a humidade para já não é o perigo, mas já o será bem real uma sempre indesejável trovoada de granizo. À primeira aberta de tempo, esperemos que já no princípio da semana, será tempo de nova cura.
O ciclo está ligeiramente atrasado, mas nunca é demais dizer que a vinha tem uma capacidade de recuperação e regeneração fantástica. Planta selvagem, que o homem tenta há milhares de anos domesticar com sucesso discutível.
O tempo seco até aqui foi bom numa coisa, nunca tudo é mau: parece que não é ano de caracóis, que são uma praga terrível no período do abrolhamento, com efeitos muito nefastos.
Mas quando for altura de os ter no prato, onde são úteis, eles não faltarão. Já há bastante tempo que esses nos chegam em sacas de 20 kgs, provenientes da margem sul mediterrânea deste Norte de África, onde nem o inverno seco da margem norte parece ser problema para a sua cultura. A ver se não me esqueço de este ano os experimentar com colheita tardia.
Até lá, é tempo de passeios diários na vinha, para todo o tipo de técnicos da arte, nem que seja com o pretexto de queimar calorias para depois caberem os caracóis.

tVC

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última vez editado por Tomaz Vieira da Cruz s Domingo Abr 01, 2012 6:58, editado 1 vez no total

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 Assunto da Mensagem: Re: Vinha 2012
MensagemEnviado: Sábado Mar 31, 2012 20:14 

Registado: Sábado Mar 14, 2009 18:50
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Tomaz Vieira da Cruz Escreveu:
Depois de duas semanas de muita timidez, com abrolhamentos aqui e ali, mas tudo muito salpicado, esta semana já foi possível começar a ver tons de verde mais ou menos homogéneos em alguns talhões e castas um pouco por todo o centro e sul do país, no Tejo, riba e além, e no Alen também. A norte, a vinha parece que continua tímida, mas durante os próximos 15 dias também perderá inevitavelmente a timidez.
Já é possível ver futuros cachos em algumas castas, mas é ainda muito cedo para opinar sobre a novidade. As castas mais tardias também já tem a ponta verde de fora.

No Dão, ao que sei, tambem ja se vê abrolhamento nas brancas e no Jaen.

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 Assunto da Mensagem: Re: Vinha 2012
MensagemEnviado: Segunda Maio 21, 2012 23:59 

Registado: Sábado Dez 26, 2009 8:29
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A timidez manteve-se na vinha até meios de há duas semanas passadas. O frio e a chuva puseram-lhe o crescimento ao ralenti. Mas ao mesmo tempo as temperaturas baixas impediram que houvesse níveis de humidade que pusessem o míldio em histeria. Os tratamentos de prevenção até agora foram suficientes, não houve até agora nada de aflitivo neste campo, apesar de as temperaturas baixas não deixarem os estomas da planta abrirem o ideal para absorver o tratamento. Mas o míldio anda lá, alguns tipos de ervas no chão onde as curas não chegam, e atreitos a ele, denunciam-no. Apenas atenção à bicharada, muita bicharada há este ano, tanto dos bons como dos maus, contra os quais já se teve de curar. O único que se manteve recolhido foi o caracol, felizmente, que a cura para ele é muito cara. As trovoadas foram menos nefastas que o ano passado, de qualquer maneira várias chuvas de pedra e granizo fizeram estragos por aí, as últimas há muitos poucos dias em Trás-os-Montes. Excepto estas coisas muito localizadas, apenas o vento tem feito estragos partindo varas tenrinhas, bastantes, e as varas estão mais tenrinhas que o normal.
Se a vinha se manteve tímida, a erva essa não há quem a pare. Corta-se e cresce com mais força, assim que o vento parar um dia ou dois, será altura de mais um cheirinho de herbicida, com extremo cuidado para não atingir o verde da cepa.
A vinha é realmente uma planta de enorme capacidade regenerativa. Assim que o céu limpou e a temperatura subiu, ela perdeu a timidez, e deu gosto vê-la crescer. Literalmente, via-se crescer. De manhã para a tarde notava-se a diferença. A vinha vinha (perdoai o tVC, que não resiste a estes trocadilhos) com atraso em relação ao normal, talvez de duas a três semanas, mas não é isto que me preocupa. Neste momento é capaz de já ter recuperado uma semana, e com o tempo previsto para os próximos dez dias, poderá recuperar outra. O que me preocupa é a probabilidade real, e mais presente que o normal, das granizadas. E o vento.
De resto, não nos podemos queixar muito. No ano passado, muito precoce, havia sinais de floração a 18 de Abril. Mas por esta altura, já havia muita vinha perdida e dizimada pelo granizo e pelo tempo tropical que originou míldios incendiários. Este ano, e para já, a vinha respira saúde, apesar de algumas carências derivadas da falta de acumulação de reservas no inverno seco, a nível fito-sanitário tá-se bem. Mas ainda não está livre de perigo.
A floração este ano deu sinais de querer começar faz hoje oito dias, a 14 de Maio, assim avisaram dois espirros e uma comichão nos olhos. Aí estava ela cheia de vontade de saltar cá para fora. Mas no fim da semana, o regresso da chuva e das temperaturas baixas baralharam a planta e esta acalmou. Hoje (ontem) viam-se cepas com cachos já alimpados e com o fruto à vista, ao lado de cachos com floração por começar. Esta heterogeneidade desaparecerá provavelmente nos próximos dias, veremos o que a baixa da temperatura outra vez no fim da semana nos reserva. Apenas o Aragonez/Tinta Roriz e mais duas ou três castas de ciclo curto e temprano ainda não começaram a floração, mas são as tais que depois do fruto vingado entrarão num vigor brutal que ultrapassará as outras em poucas semanas.
Continuo a achar que há para aí carga a mais, e se não houver mondas de moderação, e o atraso temporal não for todo recuperado, haverá castas que não vão chegar a amadurecer.
Curioso, ou talvez não, a região mais adiantada, ou menos atrasada por esta altura será os Verdes, talvez porque as reservas de água nos solos são naturalmente maiores, e porque este clima e  temperaturas serão mais comuns por lá. 
No fim da semana que vêm a floração estará concluída ou a concluir na generalidade, já haverá mesmo nas castas mais adiantadas bagos entre o tamanho de chumbo e de quase ervilha.
É tempo dos primeiros  desladroamentos (retirada dos ladrões, lançamentos (varas) indesejáveis do tronco que roubam crescimento ao corpo principal) estarem finalizados, para evitar mexer na planta nesta fase.
É tempo de ter a postos a primeira enxofra para ajudar à alimpa. Curiosa a variação do preço do enxofre de ano para ano, está caro, mais lá para a frente vai ter de ser o tractor com a grade a levantar pó a servir de enxofra, resulta na perfeição.
É tempo também de ler nas folhas da videira (sim, não é só nas folhas de chá que se lê)  e tentar perceber eventuais carências nutricionais a suprir rapidamente pois o esticão de crescimento que se vai seguir à floração precisa da vinha bem alimentada para não propiciar desavinhos e cachos mal formados. 
É tempo de pedir ao Santo Isidro que a cultura vá de feição.

tVC

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 Assunto da Mensagem: Re: Vinha 2012
MensagemEnviado: Quarta Ago 08, 2012 19:12 

Registado: Sábado Dez 26, 2009 8:29
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Timidez, é cada vez mais a palavra para descrever este ano vitícola.
Mas esta timidez vitícola não nos diz nada para já sobre a personalidade dos vinhos a que vai dar origem. Nada de nada. 
A floração foi muito longa. A vinha baralhou-se a meio, com a chuva e a baixa de temperatura, que obrigou em alguns casos a uma cura de prevenção, a meio da floração. Normalmente tenta-se evitar curar a vinha durante este período, curando-se quando se prevê que está prestes a começar, e fazendo uma enxofra no fim para ajudar a alimpa. Durante evita-se pois pode causar desavinho. Quem o fez poderá ter tido efectivamente alguma perda de bagos, mas evitou algum míldio e oídio muito indesejáveis nesta fase. Este tipo de análise de risco é cada vez mais importante em viticultura.
Há uma grande diferença entre este ano e o ano passado: a humidade.
A humidade foi muito baixa até fins de Junho. No ano passado foi altíssima, puro clima tropical, principalmente em fases muito críticas como a floração. Consequentemente, o míldio e o oídio que foram autênticos flagelos em 2011, dizimando parcelas inteiras e prejudicando muitas outras, este ano não chegou de um modo geral a ser um problema. Do que conheço, foi até um ano anormalmente baixo em termos de focos destas doenças. Mas isto deve-se à falta de humidade. Se tivesse havido humidade, o ano  teria sido pelo menos tão mau como o ano passado. Há anos em que o "quem curou não teve problemas" não chega, como disseram alarvemente alguns enólogos de gabinete que só vão à vinha com o fotógrafo.
O vento tem estado sempre presente, por um lado partindo varas e ajudando ao desavinho, por outro a circulação do ar impediu a concentração de humidade. Não há senão sem bela.
Depois da floração, o crescimento da planta foi brutal, parecendo momentaneamente que tinha perdido a timidez. Boas temperaturas, um pouco de chuva, que não sendo suficiente, é sempre bem vinda nesta altura, ainda por cima vindo de noite e não de dia, deu origem a um período de crescimento praticamente isento de oídio. A atenção foi sobretudo para a bicharada que se estava a desenvolver, ano complicado  para gerir a bicharada, o insecticida é caro para quem não se fia totalmente nos cházinhos dos pseudo-dinâmicos.
Por altura do São João, o atraso que a vinha trazia desde o início do ciclo parecia estar completamente superado. Algumas castas pareciam mesmo prestes a começar o pintor, como de costume em algumas zonas do sul e das margens mais quentes do Douro.
Mas vieram dois dias de calor extremo, e a vinha simplesmente pasmou. Pasmou, parou completamente qualquer actividade, e não foi só por dois dias, foi por mais de uma semana. E voltou a atrasar o que já tinha recuperado.
Esta canícula também teve uma bela, e um senão. Por um lado durante estes dias houve sempre uma neblina muito ligeira, que fez de filtro solar e impediu um escaldão nos cachos que nesta altura teria sido terrível. Por outro causou o primeiro surto forte de humidade, aparecendo pela primeira vez problemas de oídio, também conhecido na gíria por mal-branco ou farinha. Mas mesmo assim, de um modo geral, sem gravidade por aí além, não se comparando sequer a um ataque normal de um ano normal, e tocando apenas nas castas mais sensíveis. A par do anti-oídio, foi também tempo de fazer um último tratamento para os insectos, a cicadela e a flavescência dourada há muito que deixaram de ser coisas só de alguns.
O grão não pintou no São João, começou a pintar o bago uns dias antes do São Tiago, como é norma lá para cima e nas zonas mais frias. E logo a seguir, mais dois dias de brasa! , acima dos quarenta graus. Aqui já houve escaldão, que apesar de algumas coisas agudas, não foi tão grave como teria sido o de Junho se não houvesse o filtro. Agora já havia muita uva a iniciar o pintor, cujo amolecimento do bago protege naturalmente contra o escaldão. Mesmo assim fez alguma mossa, podendo mesmo considerar que estes foram os dias mais prejudiciais para a vinha este ano, exceptuando aquelas que foram dizimadas pelo granizo. Mais que o desavinho da floração, a quebra de produção a haver será por este escaldão. A parte boa aqui foi que este calor acabou de vez com os oídios mais teimosos que ainda persistiam.
Ao contrário do calor do S. João, o calor do S.Tiago fez acelerar o pintor.
Até ao pintor, há acumulação de ácidos na uva. Atingem nesse momento o seu máximo, e a partir daí vão transformar-se em açúcares e percursores aromáticos.
Uma maturação lenta, dando origem a uma passagem lenta dos ácidos em açúcares e percursores aromáticos, vai ter reflexos positivos na qualidade final e na quantidade de ácidos restantes à vindima.
Este ano, e não apenas contando os atrasos, o período até ao pintor tem sido mais longo que num ano normal. Isto dá que pensar no que serão os ácidos em termos qualitativos e quantitativos este ano. A Tinta Roriz/Aragonez/Tempranillo, que tem um ciclo muito curto e problemas de acidez, este ano só no pintor passou à frente de castas de ciclo longo como o Tinto Cão, quando num ano normal o faz a seguir à floração. Isto há-de querer dizer qualquer coisa. Os pássaros, que são um problema grave em algumas regiões, e que em castas como o Fernão Pires ou o Aragonez, atacam assim que o bago pinta, só agora, que estão a atingir o pleno pintor, se estão a atrever. Um dos sinais disto, e a prova de bagos pelos técnicos que não foram a banhos já o sugere, é que as uvas estarão mais ácidas que o costume.
E os dias não estão demasiado quentes, e até há algum frio à noite.
Algumas castas já estão em pleno pintor, já passando os 7-8 e começando a acusar à volta de 9 graus prováveis. Mas a maior parte ainda lá não chegou. E há castas brancas, como o Arinto, que estão mais atrasadas que a maior parte das tintas. Só depois do pleno pintor vale a pena começar a fazer o controle de maturação, mas a partir daí é obrigatório, uma vez por semana, acelerando mais à frente para  duas ou mesmo três.
Mas a prova de bagos de Fernão Pires que já atingiram os 12 graus, que já os há, aqui e ali salpicando cachos, deixa muito boas sensações em termos de componentes aromáticas, de um nível e de uma finesse que nunca vi nesta fase.
Isto está mesmo atrasado. Alguma reza certeira daqueles técnicos ... não direi da tanga, mas dos que não dispensam a dita nesta altura.
As primeiras regiões a começar a vindima, como o Tejo e as zonas mais quentes do Alentejo, costumam começar pela semana do 15 de Agosto, mais coisa menos coisa. Para já, creio que não haverá corte de uvas antes de 20, para não dizer mesmo 27. A excepção será quanto muito as bases para espumante, e o caldeirão de Beja. Mas creio também que o atraso será mais nas regiões precoces, porque as mais tardias creio que andarão todas pelo fuso horário do costume, 15 de Setembro.
Mas tudo de repente se pode adiantar, ou atrasar ainda mais. A qualidade da subida de temperatura a partir de amanhã pode condicionar e baralhar tudo outra vez.
Isto dá que pensar em vários aspectos, tudo no domínio da especulação.
Os ranchos de vindima vão ser mais difíceis de gerir. Já há muitos, sobretudo no sul, que tem uma grande componente de estudantes em férias. Ora entrando a vindima por Setembro adentro, poderá haver problemas a partir daí. Por outro lado, um grande concorrente de pessoal das zonas vizinhas, tem sido a zona da pêra-Rocha, inclusivamente estragando os preços. Este ano pela amostra que se vê da borda a estrada, parece que a pancada não vai ser tão grande.
Não há volta a dar. A vinte e poucos de Setembro, chove sempre. O que costuma ser visto como uma benesse, pois é uma chuva que a sul já só atinge o Castelão e outras castas tardias de casca rija, e ajuda ao amadurecimento final, e a norte atinge as tintas praticamente todas, com o efeito positivo descrito atrás, mas vem com os brancos já dentro da adega, com o atraso este ano, vai incidir numa fase muito crítica nas zonas onde normalmente se vindima mais cedo. Castas como a Trincadeira, de casca fina, cujo bago incha e rebenta se o espevitam demais, e outras atreitas à podridão, poderão vir a ter problemas.
A chuva abençoada de Setembro a norte, é a que faz bem a sul nesta altura de Agosto. E que bem faria este ano. Há parcelas em grande esforço e stress hídrico extremo, e que bem beneficiariam de um pouco de chuva nesta fase da maturação.
Quem pode e sabe regar vinha sem a ver como mais um clone de milho, saberá perceber as necessidades da cêpa e actuar em consonância.
Agora em relação ao Aragonez de regadio e outros que tais, será apenas prolongar-lhe a agonia. Como disse uns posts atrás, o ano não é para grandes cargas. Cargas exageradas, para mais num ano deste, alimentadas a dose de cavalo, nunca irão amadurecer, a não ser ficticiamente por desidratação. Mais um choque térmico de 40 graus, como é provável que ainda aí venha, irá pura e simplesmente pasmar vinhas como estas.
Muito importante também num ano como este, é saber gerir a parede e exposição foliar. Quem a soube perceber e fazer, teve grandes benefícios em termos de saúde e desenvolvimento da planta, e de minorar perdas com o escaldão.
Em termos de quantidade, parece ser um ano médio, em alguns casos médio mais. Em termos fitosssanitários, excelente, talvez dos melhores de sempre, mas repito, bastava um fósforo de humidade para o ano ser péssimo. Em termos de componentes do bago da uva, a grande expectativa é como isto tudo se reflectirá em termos de acidez,  percussão aromática, e taninos qualitativos.
Até à vindima, há agora duas preocupações principais: o ataque dos pássaros, que até aqui tem, de um modo geral, estado mais tímidos do que a vinha, mas creio que ainda se vão atrever, até porque está a começar a campanha do tomate, que faz as moscas fugirem para a vinha, atraindo mais passarões (quando vão às uvas não há cá passarinhos) que as usam par lavar o travo doce das uvas e vice-versa; e um granizo traiçoeiro, do qual ninguém está livre e que pode acontecer a qualquer um quando menos se espera, deitando por terra em segundos um trabalho de um ano inteiro, e por vezes comprometendo os seguintes.
Para já, resta aguardar, para no fim do jogo dar então os prognósticos sobre a personalidade dos vinhos que aí vêem. Enquanto houver uvas para apanhar nem tudo está perdido. Haja depois quem o beba.

tVC

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 Assunto da Mensagem: Re: Vinha 2012
MensagemEnviado: Quinta Ago 09, 2012 16:58 

Registado: Sábado Mar 14, 2009 18:50
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Tomaz Vieira da Cruz Escreveu:
Timidez, é cada vez mais a palavra para descrever este ano vitícola.
Mas esta timidez vitícola não nos diz nada para já sobre a personalidade dos vinhos a que vai dar origem. Nada de nada. 
A floração foi muito longa. A vinha baralhou-se a meio, com a chuva e a baixa de temperatura, que obrigou em alguns casos a uma cura de prevenção, a meio da floração. Normalmente tenta-se evitar curar a vinha durante este período, curando-se quando se prevê que está prestes a começar, e fazendo uma enxofra no fim para ajudar a alimpa. Durante evita-se pois pode causar desavinho. Quem o fez poderá ter tido efectivamente alguma perda de bagos, mas evitou algum míldio e oídio muito indesejáveis nesta fase. Este tipo de análise de risco é cada vez mais importante em viticultura.
Há uma grande diferença entre este ano e o ano passado: a humidade.
A humidade foi muito baixa até fins de Junho. No ano passado foi altíssima, puro clima tropical, principalmente em fases muito críticas como a floração. Consequentemente, o míldio e o oídio que foram autênticos flagelos em 2011, dizimando parcelas inteiras e prejudicando muitas outras, este ano não chegou de um modo geral a ser um problema. Do que conheço, foi até um ano anormalmente baixo em termos de focos destas doenças. Mas isto deve-se à falta de humidade. Se tivesse havido humidade, o ano  teria sido pelo menos tão mau como o ano passado. Há anos em que o "quem curou não teve problemas" não chega, como disseram alarvemente alguns enólogos de gabinete que só vão à vinha com o fotógrafo.
O vento tem estado sempre presente, por um lado partindo varas e ajudando ao desavinho, por outro a circulação do ar impediu a concentração de humidade. Não há senão sem bela.
Depois da floração, o crescimento da planta foi brutal, parecendo momentaneamente que tinha perdido a timidez. Boas temperaturas, um pouco de chuva, que não sendo suficiente, é sempre bem vinda nesta altura, ainda por cima vindo de noite e não de dia, deu origem a um período de crescimento praticamente isento de oídio. A atenção foi sobretudo para a bicharada que se estava a desenvolver, ano complicado  para gerir a bicharada, o insecticida é caro para quem não se fia totalmente nos cházinhos dos pseudo-dinâmicos.
Por altura do São João, o atraso que a vinha trazia desde o início do ciclo parecia estar completamente superado. Algumas castas pareciam mesmo prestes a começar o pintor, como de costume em algumas zonas do sul e das margens mais quentes do Douro.
Mas vieram dois dias de calor extremo, e a vinha simplesmente pasmou. Pasmou, parou completamente qualquer actividade, e não foi só por dois dias, foi por mais de uma semana. E voltou a atrasar o que já tinha recuperado.
Esta canícula também teve uma bela, e um senão. Por um lado durante estes dias houve sempre uma neblina muito ligeira, que fez de filtro solar e impediu um escaldão nos cachos que nesta altura teria sido terrível. Por outro causou o primeiro surto forte de humidade, aparecendo pela primeira vez problemas de oídio, também conhecido na gíria por mal-branco ou farinha. Mas mesmo assim, de um modo geral, sem gravidade por aí além, não se comparando sequer a um ataque normal de um ano normal, e tocando apenas nas castas mais sensíveis. A par do anti-oídio, foi também tempo de fazer um último tratamento para os insectos, a cicadela e a flavescência dourada há muito que deixaram de ser coisas só de alguns.
O grão não pintou no São João, começou a pintar o bago uns dias antes do São Tiago, como é norma lá para cima e nas zonas mais frias. E logo a seguir, mais dois dias de brasa! , acima dos quarenta graus. Aqui já houve escaldão, que apesar de algumas coisas agudas, não foi tão grave como teria sido o de Junho se não houvesse o filtro. Agora já havia muita uva a iniciar o pintor, cujo amolecimento do bago protege naturalmente contra o escaldão. Mesmo assim fez alguma mossa, podendo mesmo considerar que estes foram os dias mais prejudiciais para a vinha este ano, exceptuando aquelas que foram dizimadas pelo granizo. Mais que o desavinho da floração, a quebra de produção a haver será por este escaldão. A parte boa aqui foi que este calor acabou de vez com os oídios mais teimosos que ainda persistiam.
Ao contrário do calor do S. João, o calor do S.Tiago fez acelerar o pintor.
Até ao pintor, há acumulação de ácidos na uva. Atingem nesse momento o seu máximo, e a partir daí vão transformar-se em açúcares e percursores aromáticos.
Uma maturação lenta, dando origem a uma passagem lenta dos ácidos em açúcares e percursores aromáticos, vai ter reflexos positivos na qualidade final e na quantidade de ácidos restantes à vindima.
Este ano, e não apenas contando os atrasos, o período até ao pintor tem sido mais longo que num ano normal. Isto dá que pensar no que serão os ácidos em termos qualitativos e quantitativos este ano. A Tinta Roriz/Aragonez/Tempranillo, que tem um ciclo muito curto e problemas de acidez, este ano só no pintor passou à frente de castas de ciclo longo como o Tinto Cão, quando num ano normal o faz a seguir à floração. Isto há-de querer dizer qualquer coisa. Os pássaros, que são um problema grave em algumas regiões, e que em castas como o Fernão Pires ou o Aragonez, atacam assim que o bago pinta, só agora, que estão a atingir o pleno pintor, se estão a atrever. Um dos sinais disto, e a prova de bagos pelos técnicos que não foram a banhos já o sugere, é que as uvas estarão mais ácidas que o costume.
E os dias não estão demasiado quentes, e até há algum frio à noite.
Algumas castas já estão em pleno pintor, já passando os 7-8 e começando a acusar à volta de 9 graus prováveis. Mas a maior parte ainda lá não chegou. E há castas brancas, como o Arinto, que estão mais atrasadas que a maior parte das tintas. Só depois do pleno pintor vale a pena começar a fazer o controle de maturação, mas a partir daí é obrigatório, uma vez por semana, acelerando mais à frente para  duas ou mesmo três.
Mas a prova de bagos de Fernão Pires que já atingiram os 12 graus, que já os há, aqui e ali salpicando cachos, deixa muito boas sensações em termos de componentes aromáticas, de um nível e de uma finesse que nunca vi nesta fase.
Isto está mesmo atrasado. Alguma reza certeira daqueles técnicos ... não direi da tanga, mas dos que não dispensam a dita nesta altura.
As primeiras regiões a começar a vindima, como o Tejo e as zonas mais quentes do Alentejo, costumam começar pela semana do 15 de Agosto, mais coisa menos coisa. Para já, creio que não haverá corte de uvas antes de 20, para não dizer mesmo 27. A excepção será quanto muito as bases para espumante, e o caldeirão de Beja. Mas creio também que o atraso será mais nas regiões precoces, porque as mais tardias creio que andarão todas pelo fuso horário do costume, 15 de Setembro.
Mas tudo de repente se pode adiantar, ou atrasar ainda mais. A qualidade da subida de temperatura a partir de amanhã pode condicionar e baralhar tudo outra vez.
Isto dá que pensar em vários aspectos, tudo no domínio da especulação.
Os ranchos de vindima vão ser mais difíceis de gerir. Já há muitos, sobretudo no sul, que tem uma grande componente de estudantes em férias. Ora entrando a vindima por Setembro adentro, poderá haver problemas a partir daí. Por outro lado, um grande concorrente de pessoal das zonas vizinhas, tem sido a zona da pêra-Rocha, inclusivamente estragando os preços. Este ano pela amostra que se vê da borda a estrada, parece que a pancada não vai ser tão grande.
Não há volta a dar. A vinte e poucos de Setembro, chove sempre. O que costuma ser visto como uma benesse, pois é uma chuva que a sul já só atinge o Castelão e outras castas tardias de casca rija, e ajuda ao amadurecimento final, e a norte atinge as tintas praticamente todas, com o efeito positivo descrito atrás, mas vem com os brancos já dentro da adega, com o atraso este ano, vai incidir numa fase muito crítica nas zonas onde normalmente se vindima mais cedo. Castas como a Trincadeira, de casca fina, cujo bago incha e rebenta se o espevitam demais, e outras atreitas à podridão, poderão vir a ter problemas.
A chuva abençoada de Setembro a norte, é a que faz bem a sul nesta altura de Agosto. E que bem faria este ano. Há parcelas em grande esforço e stress hídrico extremo, e que bem beneficiariam de um pouco de chuva nesta fase da maturação.
Quem pode e sabe regar vinha sem a ver como mais um clone de milho, saberá perceber as necessidades da cêpa e actuar em consonância.
Agora em relação ao Aragonez de regadio e outros que tais, será apenas prolongar-lhe a agonia. Como disse uns posts atrás, o ano não é para grandes cargas. Cargas exageradas, para mais num ano deste, alimentadas a dose de cavalo, nunca irão amadurecer, a não ser ficticiamente por desidratação. Mais um choque térmico de 40 graus, como é provável que ainda aí venha, irá pura e simplesmente pasmar vinhas como estas.
Muito importante também num ano como este, é saber gerir a parede e exposição foliar. Quem a soube perceber e fazer, teve grandes benefícios em termos de saúde e desenvolvimento da planta, e de minorar perdas com o escaldão.
Em termos de quantidade, parece ser um ano médio, em alguns casos médio mais. Em termos fitosssanitários, excelente, talvez dos melhores de sempre, mas repito, bastava um fósforo de humidade para o ano ser péssimo. Em termos de componentes do bago da uva, a grande expectativa é como isto tudo se reflectirá em termos de acidez,  percussão aromática, e taninos qualitativos.
Até à vindima, há agora duas preocupações principais: o ataque dos pássaros, que até aqui tem, de um modo geral, estado mais tímidos do que a vinha, mas creio que ainda se vão atrever, até porque está a começar a campanha do tomate, que faz as moscas fugirem para a vinha, atraindo mais passarões (quando vão às uvas não há cá passarinhos) que as usam par lavar o travo doce das uvas e vice-versa; e um granizo traiçoeiro, do qual ninguém está livre e que pode acontecer a qualquer um quando menos se espera, deitando por terra em segundos um trabalho de um ano inteiro, e por vezes comprometendo os seguintes.
Para já, resta aguardar, para no fim do jogo dar então os prognósticos sobre a personalidade dos vinhos que aí vêem. Enquanto houver uvas para apanhar nem tudo está perdido. Haja depois quem o beba.

tVC

Ja estava com saudades destes posts!
Uma sintese super interessante deste ano viticola, obrigado Tomaz!

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 Assunto da Mensagem: Re: Vinha 2012
MensagemEnviado: Domingo Ago 12, 2012 21:06 

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Obrigado António Madeira pelo seu comentário.

Alguns acrescentos ao post anterior, uns que entretanto reparei que queria ter escrito e não escrevi, outros entretanto para actualizar:
- este ano há poucas ou nenhumas netas, cachos de segunda geração, mais pequenos e de qualidade inferior, e normalmente em fase de maturação atrasada em relação aos normais, podendo dar verdete e gostos vegetais se vindimados. Mais um reflexo do ano seco, este é um facto interessante de observar e reter, pois além de em vindimas mecânicas ser difícil de os evitar, e em manual não ser de fácil compreensão por todos os vindimadores, a ausência destes cachos implica que os outros foram melhor alimentados;
- os bagos são mais pequenos que o normal, de uma forma geral. Se nas tintas isto à partida é bom sinal pois nos dá melhor concentração natural, não é exactamente o mesmo em todas as castas brancas;
- estão a dar chuva para 4feira. Isto é bom para o impulso final da maturação, e muita videira em stress severo vai agradecer. Vai ser que nem ginjas, passe a expressão. Esperemos apenas que castas de casca mais fina e cachos mais compactos não rebentem, dando a origem a uma sempre desagradável podridão;
- a maturação avança a bom ritmo. Mas há demasiadas castas no mesmo estado de maturação em relação às outras, quando normalmente há diferenças de uns dias ou de uma semana entre uma casta e outra. Vão ter de se tomar decisões difíceis sobre as castas com prioridade de vindima. Em princípio já há poucas dúvidas de que na semana de 20 já se vindimará no centro e sul do país, se não for no principio será no fim. E a 27 será praticamente geral pelo menos na zona central do Tejo.

tVC

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 Assunto da Mensagem: Re: Vinha 2012
MensagemEnviado: Quinta Ago 16, 2012 11:56 

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Adaptando um termo taurino: Eih, ... Chuva linda!!!!...
Veio no tempo certo, e na quantidade certa! Mas agora chega.
Muita atenção apenas a castas com bago compacto que ameaçem rebentar. Mais vale apanhar são e com menos grau, do que vinagre em pílulas.

tVC

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